segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Hora de escolher a profissão: A difícil tarefa dos jovens

Confira a matéria "Hora de escolher a profissão: A difícil tarefa dos jovens", publicada em 08 de Setembro de 2009 no Canal Rh . Na matéria, a jornalista Valéria Polizzi me entrevistou sobre o programa de Orientação Profissional (OP) do Paradigma, e entrevistou também dois jovens que passaram pelo processo de OP.


Clique aqui para ler a matéria completa.

domingo, 23 de agosto de 2009

Lançamento do meu livro infantil: "O presente Diferente"

É com prazer que divulgo meu primeiro livro infantil, intitulado "O Presente Diferente", pela Editora do Núcleo Paradigma!!!
Para crianças a partir dos quatro anos, o livro contém um Suplemento de Leitura, para ser utilizado por terapeutas infantis, pais e educadores. A história aborda o tema da procrastinação.
Vejam maiores detalhes clicando na imagem abaixo!!!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

"Soberba" segundo a Análise do Comportamento

O jornalista Rodrigo Capelo está fazendo uma série de matérias no jornal http://www.vocecommaistempo.com.br/ , da Editora Abril, chamada "Os Sete Pecados Capitais, a Produtividade e a Gestão do Tempo". Ele me entrevistou para discutir o pecado capital "Soberba".

"Avareza, Gula, Inveja, Ira, Luxúria, Preguiça e Soberba. Os Sete Pecados Capitais estabelecidos pelo catolicismo constituem princípios que não devem ser feridos para que a boa relação entre os homens exista. É possível aplicá-los ao ambiente corporativo? Confira neste especial de sete matérias quais são as consequências que essas características geram na carreira profissional e saiba como evitar que elas prejudiquem a sua produtividade"

Participei da matéria sobre SOBERBA. Clique aqui para ver a matéria completa. E, abaixo, segue a entrevista completa comigo.
- O que é soberba para a psicologia comportamental?

A soberba pode ser interpretada segundo os pressupostos teóricos da Análise do Comportamento. Segundo a abordagem comportamental, “soberba” seria um termo vago (ou pouco "operacionalizável"), que poderia incluir várias nuances de comportamento. Em linhas gerais, seria aquele comportamento que visa demonstrar que o indivíduo é no mínimo igual mas, muitas vezes, superior aos demais (independentemente disso ser verdade), de modo a produzir impacto sobre os outros. Esse impacto pode incluir admiração, elogios, respeito, destaque ou até mesmo inveja. Entretanto, muitas vezes produz uma avaliação negativa, podendo fazer com que os outros considerem esse indivíduo arrogante, pedante e, consequentemente, procurem afastar-se ou entrar em embates. O maior diferencial de um comportamento soberbo, pois, é que está mais controlado pela produção de impacto sobre os outros do que sobre um tatear mais fiel dos eventos. Por exemplo, se um indivíduo diz “concluí um projeto importante” porque quer compartilhar a alegria sobre o que fez, ou discutir detalhes desse projeto com os outros, a frase não se enquadraria em comportamento soberbo. Poderia ser soberba, entretanto, o indivíduo falar a mesma frase para produzir inveja ou comparações com os colegas. O essencial na definição é observar as conseqüências produzidas.

- Como a Soberba pode afetar a produtividade profissional?

A soberba pode afetar a produtividade profissional de diferentes maneiras, a depender de cada caso e cada situação. Uma delas decorre do fato de que o indivíduo que age com soberba, frequentemente, é muito sensível a aprovação social. As implicações disso são muitas. Ele pode trabalhar muito focado em impressionar os colegas e o chefe, pode sentir-se constantemente em competição sobre seu desempenho, pode reagir muito mal quando alguém se sai melhor do que ele ou quando alguém o critica, pode ter dificuldades para trabalhar cooperativamente em grupo. Isso sem falar nas conseqüências emocionais, pois o indivíduo pode se tornar muito mais estressado se tiver um alto padrão de exigência com relação ao seu próprio desempenho, e arrasado quando os resultados de seu trabalho não estiverem à altura desse padrão. Às vezes, essas pessoas tornam-se reféns de sua própria soberba, precisando de auxílio via terapia, até porque, paradoxalmente, podem se sentir inferiores, já que sempre haverá alguém melhor do que elas. Outro ponto é que alguns indivíduos que agem com soberba tendem a exagerar no relato sobre seus feitos (seja de propósito ou inconscientemente). Esse exagero pode fazer com que as pessoas ou acreditem nele e se decepcionem cedo ou tarde, ou deixem de acreditar naquilo que ele diz, o que em qualquer caso é muito prejudicial.
Existe alguma forma de Soberba "coletiva"? Por exemplo, um grupo de funcionários que se julgue superior ao resto da empresa.
A “soberba coletiva” funcionaria como qualquer outro comportamento que se modifica pela influência de um grupo. A psicologia comportamental explica que, muitas vezes, o comportamento de um indivíduo sozinho é insuficiente para produzir algum resultado, mas, quando somado aos de outros indivíduos unidos em um grupo, geram um efeito que não seria possível isoladamente. Assim, um grupo (por exemplo, um setor de uma empresa) que pensa, age e fala em boa parceria produz mais resultados do que cada um produziria sozinho. Mas esse mesmo “mecanismo” também pode gerar a chamada “soberba coletiva”, quando seus membros passam a agir e falar com arrogância, supervalorizando o papel do grupo dentro da empresa, menosprezando os outros grupos e formando uma pequena rede social em que cada indivíduo reforça esse comportamento no outro. Esse apoio mútuo do grupo pode fazer até com que cada um perca a noção do quanto está sendo soberbo, uma vez que se está agindo de modo análogo aos colegas, sendo reforçado por eles, e se está com pouco contato com os efeitos negativos desse tipo de comportamento (por exemplo, afastamento e repreensões). Assim, quando os efeitos negativos surgirem, podem aparecer de forma súbita e ter um efeito arrasador, como por exemplo quando outro grupo consegue fazer um projeto melhor ou quando eles não conseguem atingir a meta esperada, coisa que jamais supunham ser possível.
- É possível extrair algo positivo da Soberba? Existe algum momento em que ela pode ser útil?
O termo “soberba” pressupõe um exagero de certos comportamentos que, em doses moderadas, são úteis para o indivíduo e para a empresa. Esses comportamentos incluem, por exemplo, a auto-confiança, a competitividade e a busca pelo sucesso. Mas os extremos são, em geral, prejudiciais: tanto o excesso de orgulho quanto a falta dele. Pessoas que não se encontram nesses extremos seriam as que saberiam dosar melhor a arrogância com a humildade e a cooperação, o que traria maior probabilidade de fazerem avaliações mais realísticas sobre si e sobre os outros, e mais flexibilidade nos relacionamentos na empresa.

A arrogância é mais comum em cargos mais elevados na hierarquia da empresa? Por quê?

A arrogância não é inerente a cargos mais elevados na hierarquia da empresa, podendo ser observada até mesmo entre funcionários que ocupam cargos mais baixos. Às vezes, em cargos mais elevados, a pessoa pode se tornar arrogante porque passa a deter mais poder, ser mais bajulada e menos criticada diretamente, o que faz com que ela perca os parâmetros realistas sobre seu desempenho além de, às vezes, não poder ser punida por seu comportamento arrogante. Entretanto, muitas vezes as pessoas se tornam muito arrogantes como fruto de uma história inteira de vida em que, desde pequenas, foram incentivadas a competir, a ganhar e a impressionar os outros e, não raro, foram pouco valorizadas ou até mesmo punidas quando produziam resultados não necessariamente tão superiores. E essa é uma história de vida que podemos encontrar em pessoas de diferentes cargos hierárquicos.

O que fazer para diminuir o orgulho ou a arrogância ou, em casos extremos, eliminá-los?

O orgulho mais saudável é aquele que sentimos quando superamos a nós mesmos, e não aos outros. Portanto, a melhor maneira de não estimular a arrogância dentro da empresa é não incitar comparações e competitividade entre indivíduos ou entre grupos. Ao invés disso, o melhor é valorizar quando cada um consegue superar a si próprio ou atingir as metas propostas. Outra maneira de lidar com a arrogância é incentivar a cooperação entre os funcionários e, em seguida, demonstrar claramente o quanto os resultados foram obtidos somente por meio dessa parceria. Por fim, os próprios membros da empresa que pertencem a hierarquias mais altas e que desejam lidar com a questão da soberba precisam se lembrar que eles devem ser um modelo de humildade a ser seguido pelos demais. Assim, a maneira como tratam os funcionários e como falam sobre cada função irá refletir sobre cada membro da equipe. Alguns comportamentos são contraproducentes para lidar com a soberba: ignorar ou menosprezar pessoas de cargos mais baixos produz humilhação e revolta e, muitas vezes, faz com que essas pessoas reproduzam esse comportamento sobre aqueles que estão abaixo delas na hierarquia. Destacar somente o melhor funcionário, por sua vez, pode produzir tensão, competitividade e inveja por parte dos demais, aumentando a tendência a comparações e a sentimentos de injustiça, o que é um tipo de relação entre funcionários que pode predispor a soberba.
Como lidar com um colega arrogante? O que deve ser feito para não estimular este comportamento em outras pessoas?

Um dos problemas da arrogância é que ela deixa implícita uma comparação em que o indivíduo arrogante é de alguma maneira superior aos demais. Assim, quem convive com o arrogante pode tender a confrontá-lo para defender-se ou igualar-se, o que gera uma tensão na relação e aumenta as posturas arrogantes de ambos os lados. Virar as costas ou ignorar também pode ser perigoso, pois o arrogante pode interpretar essa atitude como inveja ou incompreensão. Portanto, se avisá-lo diretamente sobre sua arrogância não for o suficiente, um caminho alternativo seria ouvir com tolerância e neutralidade, isto é, sem engrandecê-lo nem confrontá-lo. Paralelamente, o colega pode evitar temas que incitam a soberba (comparar, falar mal de alguém) e dar modelo, agindo de modo discreto e humilde. O conjunto destas atitudes, aos poucos, tenderia a sinalizar ao indivíduo arrogante que esse comportamento não é reforçado na interação com esse colega, mas sim comportamentos mais adequados.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

[Ig Jovem] Timidez: O que fazer quando ela manda na sua vida?

CLIQUE AQUI para ler a matéria completa, de entrevista que concedi à jornalista Carol Patrocínio, em matéria para o canal Ig Jovem.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

[Ucho.info] Crescendo em frente à telinha

Clique aqui para ler a matéria da jornalista Ana Carolina Castro, em que fui entrevistada sobre a influência da televisão sobre o comportamento das crianças.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

[Você com + tempo] Por produtividade, líder deve coibir timidez no staff

Confira a matéria publicada no jornal eletrônico Você Com Mais Tempo, em que dei entrevista para o jornalista Rodrigo Capelo, a respeito de timidez no trabalho.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

[Ucho.info] Cyberbullying: A intimidação em rede

Cyberbullying: especialistas aconselham pais a ficarem alertas e a guardarem provas em casos constatados. Indenizações podem chegar a 150 salários mínimos.

A jornalista Ana Carolina Castro me entrevistou a respeito de um tipo de bullying praticado por meio da internet. Confira aqui a entrevista completa: CLIQUE AQUI.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O melhor comercial do ano

O comercial abaixo está descrito no Youtube como "o melhor comercial do ano".
CLIQUE AQUI para assisti-lo.



O comercial consegue abordar de forma divertida um comportamento muito especial para a Análise do Comportamento e para a Terapia Comportamental: o autocontrole.


Autocontrole é o comportamento de controlar outro comportamento. Por exemplo, uma pessoa de regime pode deliberadamente comer primeiro a salada (comportamento de controle) para diminuir a probabilidade de comer demais outros pratos mais engordativos (comportamento controlado).


O importante do autocontrole é que, quando não o exercemos, somos muito reforçados a curto prazo e punidos (ou menos reforçados) a longo prazo. No exemplo anterior, a pessoa de regime seria reforçada a curto prazo pelo sabor de doces, frituras e massas, mas punida a longo prazo pela aparência acima do peso. Portanto, o autocontrole tem a função de colocar o comportamento presente sob controle de consequências futuras. Em outras palavras, comer saladas hoje para ser reforçado só no futuro pela visão de um corpo mais magro.


O comercial nos ensina a mesma coisa. Use camisinha hoje (comportamento de autocontrole) e seja reforçado por isso no futuro (esquiva de todos os aspectos ruins de se ter um filho não planejado). Ver o vídeo seria, portanto, um comportamento que aumenta a chance dessas consequências futuras e indesejadas controlarem o comportamento de quem o assiste. O maior barato desse vídeo é que dispensa lições de moral, desnecessárias quando a descrição completa das contingências por si só for capaz de ser eficiente.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Personalidade: me definindo em uma palavra

Resolvi perguntar para as pessoas: "fala uma palavra que combina comigo ou me define". E elas passaram a dar diversos adjetivos sobre mim. (o motivo da pergunta se desvirtuou totalmente, na verdade era pra ter inspiração pra criar um email novo q tivesse a ver comigo)



Resultados:
Neto: meiga, confiável, dedicada
Bete: natureza, apaixonada
Fe: inteligente, excêntrica
Bruna: misteriosa, menina
Marina: tranquila, discreta, compreensiva
Desirée: mignon, psicóloga, competente
Gi Rocha: inteligentíssima, leve, amiga
Ti: inteligente, carinhosa, distraída


Confetes à parte (que todo mundo foi bonzinho comigo e só falou coisas boas), o mais curioso é que ninguém respondeu igual a ninguém, e foi daí que surgiu a idéia de escrever sobre esse resultado. Uma das pessoas, quando mostrei os diferentes resultados, comentou: "Todas de fato dizem respeito a você. Digo, parecem todas dentro da classe "giovana" pra mim".

Segundo Skinner, não existe personalidade, ou um "eu" responsável pelo comportamento. Por exemplo, um "eu inteligente", responsável por "comportamentos inteligentes". Um "eu", ou uma "personalidade" é, na melhor das hipóteses, um repertório de comportamento partilhado por um conjunto organizado de contingências (Skinner, 1974).As pessoas que deram os adjetivos acima convivem comigo em circunstâncias bastante diferentes uma das outras. Só por aí, já começamos a entender que as contingências responsáveis pelo meu comportamento tornam-se bem diferentes, fazendo com que elas me definam, cada uma, de um modo. Outro fator importante é que cada pessoa pode ficar sob controle de classes diferentes do meu repertório comportamental, ao responder a minha pergunta.

A personalidade, para a Análise do Comportamento, é um repertório comportamental adquirido e compartilhado por um conjunto organizado de contingências, com alta probabilidade de ocorrência, dadas tais contingências. Complicou? Digamos que eu "sou psicóloga" quando estou em minha clínica, "sou confiável" quando guardo um segredo sem julgar, "sou discreta" quando me contenho e, ao contrário, "sou moleca" quando faço palhacice. Em cada contexto, a probabilidade de eu me comportar segundo esses adjetivos é alta. Mas há outros adjetivos que dificilmente alguém me daria seja qual for o contexto, ou em contextos que não sinalizem que os comportamentos correspondentes possam ser reforçados pela sociedade. Circunstâncias diferentes (Sd's), respostas diferentes, e cada qual reforçada a seu modo.

Obs: foi muito interessante, recomendo vcs experimentarem fazer essa pergunta pra algumas pessoas sobre vcs.

terça-feira, 24 de março de 2009

[RedePsi] Workaholic: Quando a vida pessoal é deixada de lado

Você gostaria que o dia tivesse trinta horas, para dar conta de listas intermináveis de tarefas? Tem dificuldade para separar aquele tempinho para uma academia, ou mesmo uma caminhada em seu bairro? Sente-se cada vez mais distante dos amigos e familiares, devido à quantidade de trabalho? Então talvez você compartilhe características com aquele perfil denominado atualmente de “workaholic” que, seja por prazer ou necessidade, coloca seu trabalho em primeiro plano. E a vida pessoal começa a ser deixada de lado. Leia a matéria completa: CLIQUE AQUI.

domingo, 8 de março de 2009

[Estadão] Redes de Fast-Food devem suspender a venda de lanches com brinquedos?


Clique nas fotos par ampliá-las...

Entrevista que concedi ao Jornal O Estado de São Paulo em 08 de Março de 2009.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Análise do Comportamento e as novas regras gramaticais

O que estão achando das novas regras gramaticais que vigoraram a partir de 2009? Muito estranhas? Complicaram mais a língua portuguesa?
O que significa afirmarmos que a adaptação às novas regras gramaticais pode ser complicada, sobretudo no início? As regras gramaticais especificam a topografia de um comportamento verbal (vocal ou textual), em termos de sua relação com uma contingência estabelecida pela cultura, como por exemplo a nova regra:

"Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui."
ou seja,
"Escreva palavras com gue, gui, que, que, sem o trema [resposta] para que a comunidade verbal aprove sua escrita [consequência]"


O problema é que em nossa história de vida, nosso comportamento foi condicionado sob controle de outras regras que, agora, mudaram. O que antes era reforçado (no caso, usar o trema), agora será punido, por exemplo, por um professor de português no caso de um aluno do ensino médio, ou pela revisão de uma editora de livros. O que antes era punido (esquecer o trema), agora será reforçado.

Além da mudança, ainda não tivemos tempo para nos expor às novas contingências, isto é, neste caso a regra é um antecedente verbal que especifica consequências que ainda não aconteceram. Quando passarmos por esse processo de modelagem, provavelmente "nos acostumaremos". O que isso quer dizer? Que a exposição às consequências fará com que nosso comportamento fique sob controle destas, com menos necessidade de verbalizarmos ou consultarmos a regra a cada escrita de palavra. Ainda bem!!!

E como fica a "terapia analítico-comportamental", uma vez que o hífen foi modificado em uma porção de palavras, e retirado em grande parte delas? Fiquei preocupada com isso: "analiticocomportamental" daria uma cacofonia bem embaraçosa. Escrevemos "terapia analítico-comportamental", corretamente, ao invés de "analítico comportamental", "analítica comportamental" ou algo do tipo, devido à seguinte regra gramatical:

Os adjetivos compostos, normalmente, têm apenas o seu segundo elemento alterado, o qual concordará com o substantivo que está modificando.
Exemplos:política econômico-financeira / políticas econômico-financeirasaliança luso-brasileira alianças luso-brasileiras

Percebam que o substantivo ("política") é feminino, e somente o segundo ajetivo ("financeira") concorda com ele, enquanto que "luso" não foi flexionado. No caso da nossa terapia, temos, analogamente:
"terapia" = substantivo
"comportamental"= ajetivo (qualifica a terapia, assim como junguiana, freudiana, humanista e assim por diante, todas no feminino
"analítico" = torna o ajetivo composto e, segundo a regra gramatical, não se flexiona.

A nova regra gramatical alterou uma porção de palvra com hífen, entretanto, somente aqueles constituídos de PREFIXO + hífen + NOME. Não é o caso de "analítico-comportamental" (nome composto de dois ajetivos). Sem contar que podemos considerá-la um nome próprio, tanto é que há uma certa confusão sobre escrever com iniciais maiúsculas ou minúsculas. Como nome próprio, não precisa de alteração em função das novas regras.

Enfim, de uma forma ou de outra, nossa terapia, felizmente, continua com a mesma grafia. Quanto ao resto, vamos aprendendo a escrever...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

FÉRIAS = Pausa após reforço!

Olá pessoal!
Voltando das férias, vou aproveitar para comentar um conceito simples que é a cara da transição de Ano Novo!


Diversos estudos experimentais demonstraram a existência de uma regularidade típica no jeito de nos comportarmos. Funciona assim: depois de trabalhar para obter reforço, tendemos a não responder imediatamente na sequência, mesmo que pudéssemos e mesmo que o responder imediatamente nos fizesse produzir ainda mais reforçadores.

Ocorre que fazemos isso o tempo todo; a pausa pós-reforço corresponde àquela parada básica para relaxar depois de um trabalho ou parte dele conluídos. Tem gente que se sente culpado ou não entende que não continue trabalhando após concluir uma etapa... pois aí está uma boa explicação que deveria aliviar nossas consciências!

Entretanto, muitas vezes, o fim do ano vai chegando e as contingências mudam: o trabalho acumula, temos atividades extras, típicas de fim de semestre, prazos que se encurtam, e se pararmos para descansar podemos ser muito punidos por isso.

Certa vez, um amigo beheca brincou (em situação desse tipo) que estava guardando as pausas pós-reforço em um "banco de pausas pós-reforço" para usar tudo de uma vez em um "bolão no fim do ano" (rsrs). Resumindo: ele queria férias!!!

Enfim, 2008 transcorreu, nos comportamos ao longo dele, fizemos nossas pausas quando pudemos, acumulamos pro fim do ano quando foi inevitável e tivemos nossas férias, curtas ou longas. E depois dessa pausa pós-reforço, nada como começar o Novo Ano com as baterias carregadas!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Que tal apertar a descarga?

Esse artigo foi feito pelo Victor, terapeuta comportamental (trabalhamos juntos na USP em 2008 toda) e um amigo muito querido. Aí vai.

QUE TAL APERTAR A DESCARGA?

Quem nunca foi a um banheiro público e encontrou um presente boiando na privada, ou ao menos respingos de urina, ou urina parada e acumulada na água? Banheiros onde isso é esperado acabam fazendo com que evitemos seu uso, certo?


Um dia desses, em uma das minhas várias caminhadas habituais em direção ao banheiro mais próximo da USP, fui observando diversos cartazes, avisos, notificações, etc. que havia pelo caminho. Todos eles alertavam para algo que devíamos pensar e/ou fazer, como, por exemplo, “Pense no meio ambiente antes de imprimir seu trabalho”. Ao chegar ao banheiro me deparei com uma placa que havia estado lá durante toda a minha graduação, mas só depois de 5 anos fui percebê-la. A placa dizia: “Após terminar de usar o banheiro, aperte a descarga”.

É claro que todos nós já nos deparamos com uma placa deste tipo em nossas vidas. Foi aí que eu pensei. Por que eu nunca tinha reparado naquela placa? Quantas outras placas deste tipo eu ignorei, sem perceber, ao entrar em diferentes banheiros?

Eu sei, vocês devem estar pensando: “Esse cara é muito porco, nem dá descarga!” Mas é aí que justamente está o que inspirou este texto. Eu sempre dei descarga, mas como já usei diversos banheiros em minha vida, bem sei que muitas pessoas não o fazem.

Então, por que tais placas existem? Que efeito elas tem sobre os comportamentos das pessoas? Que efeito tem sobre as pessoas que colocaram tais placas? Essas perguntas envolvem muitas variáveis, mas poderíamos começar dizendo que o controle destas placas sobre o comportamento das pessoas depende da história de vida de cada um, e conseqüentemente, de quanto o repertório de seguir regras foi reforçado na ontogênese de cada um.

Mas se fosse simplesmente uma questão de repertório de seguir regras eu teria notado antes a placa... acreditem, infelizmente eu fui reforçado demais por seguir regras hahaha. É claro que meu comportamento de apertar a descarga está sob o controle de regras, já que eu certamente aprendi isto com minha mãe que dizia “depois de ir no banheiro aperte a descarga” e toda a vez que ela não escutava o som da descarga dizia: “volta lá e aperta a descarga”. Mas muitos de nós, senão todos, passaram por isso em suas infâncias. Por que então muitos não seguem esta regra?


É provável que as pessoas que não dão descarga não tiveram de entrar em contato com o produto de seus comportamentos....se é que vocês me entendem. Dessa forma, sem ter o contato com a contingência, muito pelo contrário, entrando em contado com uma contingência na qual eles utilizavam o banheiro e não precisavam limpar (ou simplesmente olhar por dias o resultado...) a regra deixou de ser a contingência explicitada (como podemos resumidamente defini-la) e não mais passou a controlar o comportamento de pressionar a descarga.

Ai é que está a grande questão da existência destas pequenas plaquinhas. Muitos faxineiros e donos de botecos, assim como donos de empresas (sim....ricos também deixam de apertar a descarga!!!) cansados de verem seus banheiros imundos, começaram a explicitar uma regra que antes não era mencionada e para muitas pessoas não mais controlavam seus comportamentos. As pessoas que já apertavam a descarga, muitas vezes não notam a presença destes estímulos nos banheiros que eles freqüentam. Para estas pessoas, o próprio “botão” da descarga já é um estímulo discriminativo que controla o comportamento de pressionar.


Mas será que estas placas fazem alguma diferença nos comportamentos de quem não usava a descarga? Bom, primeiramente, poderíamos dizer que estas placas sinalizam apenas parte da contingência ali presente. Elas simplesmente apresentam o estímulo discriminativo (apo usar o banheiro) e o comportamento que deve ser apresentado (pressionar a descarga), sem fazer menção à conseqüência. É claro que estas placas poderiam apresentar uma contingência de reforçamento negativo (dizendo que a descarga evitaria o cheiro insuportável), o que seria no mínimo engraçado de se ler para as pessoas que, como eu, pressionam a descarga. Mas uma contingência que poderia ser explicitada é a reforçadora positiva, dizendo que assim o banheiro ficaria mais limpo para um futuro uso, que dessa forma estaríamos contribuindo para a limpeza de um espaço que usamos.... sei lá...... várias coisas.... o importante é que cada vez mais estas pequenas placas fazem parte de nossa vida....o que nos faz pensar:

(1) as pessoas realmente estão mais porcas?; (2) o comportamento de colocar estas placas está sendo reforçado(controla de fato as pessoas)? (3) Há mais pessoas preocupadas com higiene, reciclagem etc (e portanto vê-se como produto mais plaquinhas de todo tipo)? Agora, se estas placas mudam o controle do comportamento de pressionar a descarga para quem não o fazia....isso acho que só os porcos podem dizer.....

Autor: Victor Mangabeira Cardoso dos Santos / vmcds@uol.com.br

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Perfil fake no Orkut

Tópico escrito a duas mãos: Giovana e Neto :)


Quem tem ou teve orkut já deve ter se deparado com perfis fakes agindo das mais diversas maneiras, interferindo no seu orkut ou em comunidades. São perfis falsos (não correspondentes aos autores) fazendo propaganda, exibindo pornografia ou simplesmente querendo "fazer amizade" com você. Mas quem está por trás desses perfis? Como analisar os comportamentos dos autores dos fakes?


De acordo com a Safernet, ainda não existe legislação específica para a rede, mas as leis do código penal são aplicadas nos casos virtuais. A organização não governamental que tem como objetivo o combate a crimes na internet ainda nos diz que 90% das 30 000 denúncias mensais recebidas são com relação ao orkut.

Dentre os problemas mais conhecidos dessa rede virtual, temos a criação de perfis falsos, os conhecidos fakes. Alguns dos internautas colocam fotos de desenhos animados, de pessoas famosas, deixando claro que aquele perfil não é real, mas outros usam fotos de pessoas desconhecidas do público em geral, tornando difícil ou as vezes impossível a identificação do perfil como um fake, dando assim continuidade ao uso indevido dos dados de outra pessoa.

Nós (Neto e eu) estávamos levantando algumas hipóteses sobre a existência e ação dos fakes. Como o próprio nome já diz, "fake" em inglês, significa "falso". O personagem fake, do orkut, acaba fazendo parte de uma contingência que é diferente daquela vivida na realidade. Essa contingência pode diferir em um ou mais termos da equação antecedente-resposta-consequência:

(1) Antecedente: o contexto da vida do indivíduo não seria estímulo discriminativo para a emissão de certas respostas, mas o contexto do orkut sim. O orkut dá ao internauta a possibilidade de entrar em contato com pessoas dos mais diferentes credos, costumes, padrões comportamentais que ele não poderia ter acesso fora da internet. Essa série de contextos que fora da internet ele não tem acesso, serve de estímulo discriminativo para certas respostas que também não seriam emitidas fora do orkut, como por exemplo, adotar a imagem de uma pessoa bonita.

(2) Resposta: algumas respostas específicas só seriam possível na realidade virtual e via perfil fake.Por exemplo, um indivíduo cria um orkut falso de uma celebridade e passa a responder aos fãs que acreditam que ele é, de fato, o astro (ator, atriz, cantor etc). As respostas do perfil fake são completamente diferentes daquelas emitidas pelo autor em seu dia-a-dia. Outra diferença entre as respostas é o custo dela; pode ser muito mais cômodo, fácil e rápido responder no orkut, alcançando maior número de relacionamentos sociais e com mais facilidade do que ao vivo.

(3) Consequência: o ambiente real não reforçaria ou puniria certas respostas, mas o ambiente virtual, com um perfil fake, faz exatamente o contrário: reforça e não pune.
Dentre as consequências reforçadoras que suas respostas podem gerar via orkut, está a receptividade que os outros internautas certamente dispensarão. Receptividade esta que pode ser que ele não receba em quantidades que saciem sua privação quando fora do orkut ; além da receptividade, levando em consideração a quantidade de reforçadores disponíveis na internet, ele pode chegar a abandonar a sua vida social de fato, fora da rede, já que nela não existem tantos reforçadores.

Esse tipo de consequência não se restringe ao uso de foto de pessoas famosas. Muitos internautas pegam fotos de meninas bonitas do orkut e criam fakes através dos quais emitam respostas que podem gerar consequências semelhantes. Como as informações utilizadas na conta fake não são do internauta responsável por sua manutenção, ao utilizá-las ele se esquiva da punição que poderia ser submetido ao defender/apregoar determinadas idéias ou emitir certos comportamentos, podendo assim aprontar o que quiser.

Além dos riscos inerentes a ter seu perfil fake desmascarado, queremos aqui ressaltar uma preocupação maior e mais provável: (1) uma pessoa que vive intensamente sua "second life" e muito pouco sua vida real pode não desenvolver repertório adequado e, uma hora ou outra, ser necessário - por exemplo para iniciar um relacionamento, namorar, conviver em equipes profissionais etc e (2) o reforço obtido por respostas emitidas na vida real, possivelmente, é mais intrinseco e intenso. Em outras palavras, a vida real, quando bem vivida, com seus prazeres e desprazeres, é muito mais bela.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

[Canal RH] Ajuste os ponteiros da vida pessoal e profissional



O jornalista Romulo Santana me entrevistou para colaborar em uma matéria sobre o desequilíbrio entre vida pessoal e profissional de workaholics. Ele e a jornalista Fátima Cardeal publicaram a matéria no Canal RH. Clique aqui para ler a matéria completa.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Reforço positivo na aula beheca

Continuando o clima poético:

Paixão Behaviorista

Quando a percebi compreendi que você era o melhor estimulo discriminativo do mundo.

Compreendi que você poderia suprir todos os meus reforços primários.

Compreendi que ficar sem você era uma punição insuportável, pior que o efeito de esquiva esquiva.

Compreendi que ficar contigo era o melhor reforço possível, me senti como o Snify depois de ser privado de comida recebendo uma pelota de queijo.

Compreendi que quando você está perto de mim todas as outras mulheres são um estimulo delta.

Compreendi que poderia te amar não como um mentalista ama, procurando conjecturas na subjetividade, mas como um behaviorista ama sabendo que meu comportamento de ficar com você foi reforçado por noites torrenciais de amor.

Mas você me deixou e naquele dia me senti como o pobre Albert vendo um coelhinho branco.

Quando você me disse que não me queria mais estávamos no park sentindo aquele cheiro de grama cortada que antes era tão bom para mim.

Agora toda vez que sinto o cheiro de grama cortada me sinto angustiado, me falta ar nos pulmões, me da taquicardia, minhas mãos ficam tremulas e estes comportamentos só passam quando fujo do lugar para não mais sentir aquele cheiro que hoje para mim é maldito.

E hoje depois de ter me comportado de tantas formas por você.

Tenho que fazer DS para te esquecer!

O poema acima foi escrito por um aluno de graduação do 4o semestre em Psicologia, Deivid Antonio, em homenagem à professora de Análise do Comportamento dele,Goiara Mendonça de Castilho, que deu aula para ele na UNIP-Brasília.

Isso é que é uma bela descrição de contingências reforçadoras por todos os lados que se observe!!! Não é lindo?!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Jeito Beheca de ser

Adaptei uma definição que circula na internet:



Padrão Comportamental Beheca

Beheca não fala, emite respostas verbais vocais
Beheca não fica de mal, põe em extinção
Beheca não rodeia, exagera nos autoclíticos
Beheca não troca as bolas, generaliza
Beheca não dá toque, emite regras
Beheca não tem semancol, discrimina
Beheca não puxa orelha, apresenta estimulação aversiva
Beheca não dá exemplo, dá modelo
Beheca não é sincero, é assertivo
Beheca não deprime, entra em desamparo
Beheca não dissimula, emite tatos com função de mandos
Beheca não seduz, faz aproximações sucessivas
Beheca não surpreende, libera reforço interminente
Beheca não finge, faz ensaio comportamental
Beheca não sente, emite comportamentos encobertos
Beheca não bate papo, emite intraverbais
Beheca não perde medo, dessensibiliza
Beheca não fica à perigo, sofre privação
Beheca não é bacana, é reforçador
Beheca não muda de vida, opera no ambiente
Beheca não pega no pé, libera reforço contínuo
Beheca não foge da raia, esquiva-se
Beheca não fica ferrado, está sobre contingências aversivas...."

(Autor desconhecido, Adaptação Giovana Del Prette - se alguém conhecer o autor, me fala!)

Resolvi postar essa definição aqui para demonstrar a complicação que é a vida do Beheca. Nós não acreditamos que mente existe, não achamos que sentimentos são causas, trabalhamos com probabilidades de respostas, questionamos conceitos como livre-arbítrio e subjetividade, explicamos o comportamento presente a partir das consequências futuras, condicionamos ratos e pombos e, só para complicar, temos um vocabulário próprio que ninguém usa no dia-a-dia e não se popularizou entre leigos. Ter fluência com esse vocabulário, ao longo do percurso de formação, é quase como aprender outra língua, e outro tipo de raciocínio.

Como consequência, somos taxados de uma porção de coisas: deterministas, cruéis, mecanicistas, simplistas, superficiais e por aí vai... Tanto por psicólogos de outras abordagens, quanto por outros profissionais. Um exemplo disso é a definição da terapia comportamental dada pela Super Interessante em Julho. O beheca que ler este post provavelmente já terá escutado frases como "Você tortura ratos?", "Coitado, tão legal, pena que é behaviorista...", "Seu paciente fala uma coisa legal e você bate palmas?".

A questão é: nunca ouvi alguém que conhecesse a fundo o behaviorismo fazer críticas como estas. O mais freqüente é o desconhecimento, ou o conhecimento equivocado, ou negarem-se a conhecer. Portanto, adotei algumas regras de ouro:

(1) Procuro criticar somente aquilo que conheço. Estudei bastante as outras abordagens durante a graduação, para criticar somente aquilo que ao menos tentei conhecer. Creio que alunos de graduação precisam experimentar um pouco de tudo, e decidir com base nessa experiência, com conhecimento de causa.
(2) Não discuto com quem faz críticas sem embasamento. É como já afirmei algumas vezes: "Seria como um físico e um poeta tentarem discutir as estrelas. Estão falando de coisas diferentes."
(3) Somos parcialmente responsáveis pelo preconceito contra o beheca. Nossa linguagem é chata, nós somos metódicos, sistemáticos e muitas vezes gastamos tempo tentando provar aos outros o que não somos ao invés de falar sobre coisas atrativas, traduzindo de um jeito bem simples e interessante.

É ESSE O INTUITO DESSE BLOG!!

sábado, 22 de novembro de 2008

Hey, olha pro cachorrinho, vai?

Estripulias de um cachorrinho tentando chamar a atenção do seu dono (clique na imagem para ver o vídeo completo):


O pobre e inocente cachorrinho foi trocado por uma televisão idiota que, no momento, está mais interessante para o menino. O menino "dá atenção" pra TV, não pro cãozinho. A partir de então, começa um processo conhecido como curva de extinção. A extinção é a quebra na relação entre a resposta (gracinhas do cão) e a consequência reforçadora (atenção do dono). Quando isso acontece, o primeiro efeito é aumentar a freqüência e a variabilidade das respostas da mesma classe (cãozinho pega a coleira, a bola, patinete, anda feito gente, só falta emitir comportamento verbal vocal!!!).

Aos poucos, reduz-se tudo isso; as respostas se extinguem; deixam de ser emitidas. A metáfora é o cãozinho fazendo as malas.

Enquanto procedimento de intervenção em terapia analítico-comportamental, é útil porém muito perigoso. O procedimento de extinção pode falhar se o comportamento a ser extinto for acidentalmente reforçado antes de reduzir de frequência. Esse comportamento fica ainda mais resistente; o contrário do que se esperava. É melhor quando se pode aliar a extinção ao reforço de comportamentos incompatíveis (differential reinforcement of other behaviors, DRO). Se não há como fazer isso, é preciso planejar bem o procedimento para que o indivíduo que não vai mais "liberar o reforço" não dê nenhuma escorregadela jamais.

Agora cá entre nós eu nunca trocaria um cãozinho fofo como esse por qualquer programa de TV!!! Que desperdício, menino!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Análise de contingências: alopatia x homeopatia

Faço há alguns meses um tratamento homeopático para enxaqueca e para minhas gripes constantes. Tenho alcançado resultados muito bons para os dois problemas. Outro dia tive um começo de gripe, com sintomas como febre, dores pelo corpo, moleza, coriza. Se eu tivesse tomado um tylenol, ou um trimedal, ou antibióticos, me sentiria muito melhor em menos de uma hora. Tomando homeopatia, a melhora não seria sentida instantaneamente, mas seria gradual e percebida após um ou dois dias inteiros.


Se os dois tratamentos produzem melhora (reforço negativo), sendo que na alopatia a melhora é mais imediata, por que eu, assim como muitas outras pessoas, optam por um tratamento homeopático?

Na análise de contingências, além da especificação do reforço, há que se considerar também outros produtos da resposta, que muitas vezes podem ser aversivos. Assim, uma análise melhorada no caso da alopatia seria assim:


Os quadros negros explicam a rejeição pela alopatia. Mas é possível ir mais além na análise, identificando contingências para o tomar homeopatia. Observem (cliquem na imagem para vê-la ampliada):

Agora as contingências estão bastante completas. Isso porque elas incluem um dado muito importante: a relação que se estabelece entre médico-paciente, que em alguma medida é análoga à relação terapeuta-cliente. que se objetiva em Psicotearpia Analítica Funcional, uma modalidade da Terapia Analítico-Comportamental

Em laranja, os antecedentes para a resposta de tomar homeopatia incluem não apenas a presença dos sintomas, como também possíveis regras do indivíduo sobre as vantagens dos tratamentos "mais naturais". Incluem também, no meu caso, regras claras sobre o atendimento diferencial que o meu médico me dará caso eu siga o tratamento, não falte nem chegue atrasada às consultas.

A consequência aversiva para o tomar homeopatia (em preto) é contrabalanceada por todos os ganhos a médio e longo prazo (em azul). Em outras palavras, suportar a dor dos sintomas pode ser muito bem reforçado! E, novamente, entra a importância do cuidado especial do médico. Meu homeopata realmente libera contingentemente os reforços estabelecidos pela regra, me atendendo por telefone ou email prontamente a qualquer hora do dia caso eu tenha sintomas de gripe ou enxaqueca, me atendendo pontualmente (já viram médico pontual? o meu é!), sendo gentil e solícito. E é claro, há o reforço natural da melhora, sem os efeitos colaterais da alopatia!!!

É isso aí, as gotinhas acima envolvem contingências mais completas do que parecem! E viva a saúde! :)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

[Post interativo] A favor da variabilidade comportamental!

Semana passada propus um post interativo, combinando que hoje eu escreveria a segunda parte dele a partir dos resultados dos leitores. Em verde está o que escrevi semana passada. Em seguida, em preto e vermelho, os resultados.Vou experimentar algo novo neste blog. Algo no estilo "A corrente do bem".Vou propor duas coisas, em favor da variabilidade comportamental.
Então aí vai.
A primeira é que você, leitor, veja o vídeo "Mude", de Camila Bossolan, texto de Edson Marques.
A segunda é que você, inspirado nesse vídeo como antecedente, se comporte de acordo com minha segunda proposta: mude algo em sua vida, simples ou complicado, grande ou pequeno. E venha contar aqui como foi!!!! Ao final de mais ou menos uma semana, vou reeditar esse post, falando sobre variabilidade comportamental e comentando os exemplos de vocês.

Resultados após uma semana:
Estou muito satisfeita com a participação dos leitores.
Vejam aqui os resultados:

Ro Fantini - "vou começar a comer mais devagar" / "Comer mais devagar, está prolongando a minha saciação, demoro mais tempo para sentir fome novamente...!!! (...)"
Alessandro - "preciso parar de tomar café... eu tomava até 1 litro por dia!agora, to em 1 xicrinha..."
Eu - "Costumo terminar as atividades na USP e ir direto pra casa, pra me livrar logo do trânsito. Dessa vez me dispus a ficar lá algumas horinhas a mais, jogando conversa fora."
Felipe Epaminondas - "Ultimamente tenho tentado tomar menos café (e meu estômago tem adorado a idéia).Também passei a ouvir mais bossa nova. Foi um sucesso na última festinha aqui em casa! :)"
Giovana Rocha - " me afastei dos meus amigos nesses anos. fiquei bem triste, mas já comecei e procurar o pessoal! vou contando como está sendo!"
Neto - "resolvi mudar um hábito meu de ler ouvindo música. Rende bem mais o estudo quando estudo em silêncio porque aí não tento acompanhar a música também, só a leitura."

E agora alguns comentários a respeito:
(1) Variabilidade comportamental pode se iniciar por diversos processos comportamentais:... como modelagem, modelação, controle por regras.
Creio que esse post atuou da seguinte maneira:- O vídeo pode ter despertado emoções que funcionam como OPERAÇÃO ESTABELECEDORA, aumentando o valor reforçador para as respostas de mudança;- A instrução do tópico, descrevendo as contingências ("mude algo em sua vida, venha contar aqui que utilizarei o comentário para meu tópico") pode ter funcionado como um antecedente verbal (REGRA) para a resposta de mudar- A leitura do depoimento das pessoas que seguiram a instrução pode ter funcionado como MODELO para a resposta de mudar, que ocorreria também por imitação neste caso.

(2) O novo comportamento pode se manter por reforçamento natural:
Como todos explicitaram, as consequências naturais para as mudanças parecem ter sido bastante prazerosas. Isso ainda não quer dizer que sejamreforçadoras, o efeito deve ser observado pela manutenção no tempo da nova resposta. Reduzir o café, estudar sem música, comer mais devagar, jogar conversa fora, são todas mudanças aparentemente simples, mas as contingências envolvidas podem ser múltiplas. Exemplo: Reduzir o café produz alívio em dores de estômago (reforço negativo). Entretanto, tomar café pode ser uma atividade social ("a hora do cafezinho"); pode também produzir um estado de alerta em dias de mais cansaço. Assim, a nova resposta irá competir com contingências que vão contra ela. O reforço natural e o reforço "por seguir a regra" precisarão ser poderosos para a resposta se manter.

(3) Reforço para o novo comportamento também pode se tornar reforço para o comportamento novo:
Com a repetição do "mudar", não apenas aquele comportamento específico pode ser reforçado. Além disso, podemos encarar todos esses comportamentos como uma classe: "classe de comportamento novo". Isso significa que experimentar o novo, em si, passa a ser reforçador.

(4) Dizer-fazer aumenta a probabilidade de ocorrência do comportamento novo:'
Como vocês podem observar nos comentários, várias pessoas vieram escrever aquilo que fariam ANTES de começar, e depois voltaram para contar que estava dando certo. É a típica contingência DIZER-FAZER-DIZER, isto é, dizer que irá se comportar de determinada maneira também aumenta a probabilidade de realmente fazê-lo. Quando você quer se prometer alguma mudança difícil, como um regime, nada melhor do que contar para algumas pessoas o que vai fazer. Isso irá controlar mais ainda seu comportamento!

(5) Finalizando...... o legal foi que, pensando bem, a própria elaboração do Post Interativo já foi, em si, meu primeiro comportamento novo! E o melhor ainda é que ele se difundiu entre os leitores. Amei!!!

Obs: Quem ainda não mudou e quiser experimentar e postar aqui, ainda tá em tempo... a discussão continua!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chico Buarque, Amor e Desamor

Só mesmo Chico Buarque pra falar de amor... e de desamor.
Nos dois links a seguir (clique nas fotos) Chico canta duas músicas que falam do fim de um amor, de uma relação. Embora o mesmo tema e a mesma sensibilidade poética descomunal, elas tocam o assunto de maneira oposta.
Em "Pedaço de mim", o amor ou o objeto de amor é, como o próprio nome da música, uma parte da pessoa que o ama, tamanha importância, tamanha sintonia. A perda dele é comparada a um exílio, à morte de um filho, à perda de parte do corpo, revés de um parto, tormento, castigo, mortalha. O sentimento constante é uma saudade profunda, fica claro o sofrimento pela perda do outro. Ainda há amor, mas traz sofrimento ("a mortalha do amor"), por isso há também um pedido claro para que a pessoa amada se afaste de vez, na esperança de que o tormento diminua: "Leva o teu olhar"; "Leva os teus sinais"; "Leva o vulto teu"; "Leva o que há de ti"; "Lava os olhos meus".

Trocando em Miúdos também conta uma separação. Chega a admitir saudade, o peito dilacerado, ficando aquela sensação de que ainda se gosta da pessoa amada e, igualmente à outra música, não se quer mais sofrer. Mas aqui Chico conta de uma história (há quem diga que ele escreveu quando terminou o casamento com a Marieta Severo) que já não dava mais certo, com rancor e desprezo, alfinetando-a a cada fim de frase: devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu. Fica clara a consciência de que o casal não é mais compatível. Trocando em miúdos, isto é, para ser bem claro: fique com o lar, os lençóis, as lembranças, a aliança, que eu não faço mais questão dessas coisas nem de saber o que fará com elas ("você pode empenhar ou derreter").

De maneira bem geral, é possível que quando uma pessoa "é terminada", ou seja, o outro que termina o namoro/casamento, o sentimento predominante é o de Pedaço de Mim. É uma situação de súbita e intensa perda de reforço positivo: nada que eu faça agora vai produzir que ele me reforce, ele se foi, o barco não vai atracar mais no cais.

Quando a própria pessoa termina (Eu bato o portão sem fazer alarde) , principalmente por ter sido muito machucada, ou por ter percebido muita incompatibilidade na relação, o sentimento combina mais com Trocando em Miúdos. "E a leve impressão de que já vou tarde" traduz um começo de sensação de alívio, isto é, efeito de reforço negativo, em que eliminou o outro que estava lhe fazendo mal.

Agora, sendo um pouco mais realista, o que é mais freqüente é uma mistura das sensações. Amamos uma pessoa porque ela faz coisas que reforçam as coisas que nós fazemos. Como isso ocorre vai variar de infinitas maneiras e em vários níveis - quando recebemos carinho, quando somos ajudados, quando nos sentimos fisicamente atraídos, quando temos afinidade para fazer coisas juntas, e assim por diante. Ocorre que há diferenças individuais, e a relação de casais é uma relação social, em que predomina reforço intermitente. Isso tanto pode aumentar a coesão e a procura de um pelo outro, como criar situações de não-compatibilidade. O que eu quero ele não quer. O que eu quero ele não gosta. O que eu gosto ele critica. O casal se desfaz quando esse lado começa a pesar demais na balança e não pode ser solucionado. E mais: quando o que cada um quer começa a ser obtido em outras interações sociais, mais do que na própria interação do casal.

Quando a relação acaba, completamente contra a sua vontade, resta o desamparo. O caminho natural (mas não fácil) é, aos poucos, buscar reforçadores "em outro lugar", fazer coisas, conhecer pessoas, resgatar amigos, enfim, estar com quem poderá reforçar seus comportamentos novamente.

Porém, é muito comum que um ou ambos busquem o término. Isso não deveria ser interpretado como uma relação que nunca funcionou, mas que não está mais funcionando satisfatoriamente. Quando acaba e ambos concordam ser a melhor solução, o sentimento que fica é misto: saudade dos momentos bons, alívio por eliminar os momentos ruins.

Lembrar dos momentos bons faz muitos casais permanecerem juntos, aguentando as arguras. Ou faz terminarem e sentirem - como nas duas músicas do Chico - muitas saudades.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

[Avaliação Comportamental] Peixinho dourado faz truques incríveis!

Um peixe que joga futebol???
Clique na imagem para ver esse maravilhoso vídeo:



O vídeo é uma bela demonstração da importância da relação entre filogênese e ontogênese, pois parece incrível que uma criatura tão simples consiga chegar a fazer tanta coisa.

O peixinho dourado (e peixes em geral, e aves, cães, ratos, homens etc) nascem preparados para terem seus comportamentos modelados pelas consequências. Essa capacidade é determinada filogeneticamente.

Os comportamentos observados não são típicos de peixes: jogar futebol, beisebol, basquete, fazer zigue-zague e passar por dentro de túneis. Esse repertório foi ontogenéticamente construído.

Reparem que no segundo 20'' o peixinho recebe comidinha de alguém.
Essa comidinha provavelmente é consequência para a emissão dos comportamentos treinados, mantendo-os tão logo o peixe seja colocado no aquário esportivo (só não pode estar empanturrado de comida).

O peixinho dourado nasceu fazendo aquilo que todos os outros fazem: nadam no aquário. O dono do peixinho dourado, achando a vidinha dele muito monótona, inventou de colocar uns acessórios lúdicos no aquário. Isso mudou a história de vida do peixinho. Para treiná-lo, foi realizado um processo de modelagem. Para jogar futebol, por exemplo: chegou perto da bola, ganha comidinha. Quando ele chegar perto da bola várias vezes, o dono do peixinho dourado pode passar para a segunda fase: empurrou a bola com a boca, mais comidinha. Terceira fase: empurrou na direçao do gol = comidinha. Quarta fase, empurrou na direçao do gol e continuou empurrando até a bola entrar no gol = comidinha. Quando o dono passa para a próxima fase, não dá mais comidinha para as fases anteriores.

O resultado é um peixe incrível e um aquário bem agitado. Eu adorei esse vídeo e quero um peixinho pra treinar!

domingo, 21 de setembro de 2008

O fantástico mundo dos Buddy-Pokes!

Eles vieram pra ficar e são a nova sensação do Orkut.
Eles vieram pra ficar e são a nova sensação do Orkut.Os body-pokes são bonequinhos personalizados, estilo Anime, em que você constrói o seu com a sua cara, muda a roupa e o humor dele à hora em que quiser, e ainda interage com os buddy-pokes dos seus amigos do Orkut.Essa aí sou eu indo fofocar algo pro Alessandro. Eu fofoco, ele ouve e ri comigo.


Agora eu e o Neto resolvemos fazer um som. Eu sou uma negação para bateria. Mas meu buddy-poke tem um super repertório pra isso e várias outras coisas.



Qual é a mágica dos body-pokes?

Diz-se que quando a obtenção de reforço depende única e exclusivamente de nós mesmos, há uma forte relação entre resposta e consequência. Eu estou com sede (OE), eu vou até (R1) o filtro (Sd), bebo um copo d'água (R2) e sacio minha sede (Sr+).

Por outro lado, há contingências em que a consequência é liberada por outro indivíduo. São as contingências sociais. A probabilidade da minha resposta produzir uma determinada consequência passa a ser afetada por outras variáveis. Eu estou com sede (OE), peço a um amigo um copo de água (R1), ele traz o copo, eu bebo (R2) e sacio minha sede (Sr+).

Se meu amigo está ocupado ou se eu costumo ser mal agradecida com ele, é provável que ele não me dê a água. Portanto, há contingências entrelaçadas na determinação do produto final da cadeia comportamental.

Em meu primeiro exemplo, tem-se uma situação de reforço contínuo. No meu segundo, quando o reforço depende da liberação via outras pessoas, o mais provável é a ocorrência de reforçamento intermitente.

Todo relacionamento costuma ser assim. Menos os relacionamentos entre os buddy-pokes. Buddy-pokes funcionam em esquema de reforço contínuo em toda e qualquer situação. Tudo que meu buddy-poke faz com qualquer outra pessoa funciona! Há ainda as outras vantagens: mostrar aos outros seu humor, brincar de trocar de roupa, ter repertório pra tudo e descobrir que todo mundo fica fofinho e bonitinho quando se transforma em um buddy-poke! ;)
Outro exemplo, agora em uma situação potencialmente aversiva no dia-a-dia: estou discutindo com minha amiga. Ela discute comigo.

A discussão não termina em briga, nem mágoa. É o fantástico mundo virtual em que, além do reforçamento contínuo, nenhuma consequência aversiva ocorre como produto dessa interação. Fácil, rápido, contínuo e indolor. Um verdadeiro sucesso orkutiano. Então, vamos aproveitar bem nossos buddy-pokes já que na vida real qualquer relação passa longe dessa facilidade e simplicidade!!!

sábado, 20 de setembro de 2008

Procrastinação, Mafalda e Filipe.

Quem nunca fez igual ao Filipe na tirinha abaixo?

Procrastinar é adiar uma atividade - "Booooommm... vou fazer minha liçãaao..."
Adiar uma atividade pode ser um indício de que o custo de resposta é alto, caso cada tarefa de Filipe dure 2h ou demande muito esforço, por exemplo. Pode ser indício também de que o valor reforçador dela é pequeno, comparado com outras atividades concorrentes, como sentar-se tranquilo e despreocupado, no quadrinho 2. Pode também ser indício de que a atividade é aversiva. Quando é aversiva, só a executamos para: (a) nos livrarmos de algum outro estímulo ainda mais aversivo, como a "alfinetada" da Mafalda; (b) nos esquivarmos de algum outro estímulo ainda mais aversivo, como a nota baixa por não fazer a lição, ou (c) por termos uma história em que adquirimos suficiente autocontrole para nos comportarmos sob controle de reforços positivos não tão imediatos, como uma nota boa só no final do bimestre.
Com alguma frequência, o sistema de ensino faz como a Mafalda na tirinha. Funciona? Enquanto tiver alguém vigiando, sim. No entanto, o autocontrole seria mais efetivo, pois produz resultados mesmo na ausência do agente controlador externo. Outra opção seria trazer para um tempo o mais imediato possível as consequências que podem funcionar como reforçadores positivos para o estudar. É o caso do professor que dá feedback imediato e contingente ao comportamento esperado do aluno. E outra opção, a mais incrível de todas, seria tornar reforçadora a própria aquisição de conhecimento, por ser uma consequência intrínseca ao estudar. Deixo esse último item para o próximo post.

sábado, 13 de setembro de 2008

Quem são os sedutores?

Que contingências podem estar envolvidas em uma relação de paquera?

Clique na foto abaixo para ler a matéria completa, escrita pelo Neto.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

[Loveteen] CDF's no fundão?

Fiz uma participação do tipo "Dica da especialista" na revista Loveteen de Setembro/2008 sobre o tema "CDF's no fundão". A matéria apresenta como é possível o relacionamento entre adolescentes mais estudiosos e "comportados" com aqueles mais bagunceiros, que sentam no fundo da classe. Ou também, como os adolescentes podem ser ao mesmo tempo estudiosos e bagunceiros. Clique nas imagens para ampliá-las e ler a matéria da revista. Em seguida, leia meus comentários extras abaixo, aqui no blog.








Um CDF também ser da turma fundão, ou vice-versa, é possível e pode ser explicado por um conceito que chamamos de "VARIABILIDADE COMPORTAMENTAL" . O potencial de variar o comportamento é inato a todo ser humano. Entretanto, como variar e em que direção, é aprendido ao longo de toda vida. Variabilidade comportamental é algo muito POSITIVO, é a capacidade de se adaptar às mais diversas situações, moldar a atitude de acordo com as circunstâncias e ser bem sucedido imediatamente e também a longo prazo. Todo ser humano tem variabilidade comportamental. Quanto mais refinada a variabilidade, melhor. Ela envolve três aspectos:

ASPECTO 1: O primeiro passo é ter aquilo que chamamos de "DESCONFIÔMETRO" [comportamento discriminado], isto é, saber quando é a hora de brincar e bagunçar com a turma do fundão, e quando é que você passou do limite e precisa ficar um pouco mais atento à professora... ou então precisa mesmo aprender aquela parte da matéria, que vai cair na prova da semana que vem.

ASPECTO 2: Isso nos leva à segunda parte da explicação: emitir o comportamento apropriado. O comportamento de bagunçar exige traquejo, humor, espontaneidade. Já os comportamentos do CDF têm mais a ver com concentração, disciplina, perseverança, raciocínio. São completamente diferentes, talvez incompatíveis ao mesmo tempo mas não para a mesma pessoa em diferentes momentos.

ASPECTO 3: Por fim, a terceira parte da explicação envolve as CONSEQUÊNCIAS para cada comportamento. O comportamento do típico aluno da turma do fundão tem como principal consequência a aprovação social dos outros alunos. O comportamento do CDF tem também como consequência obter boas notas, aprovação do professor e dos pais e, é claro, a obtenção de conhecimento. Todas essas consequências são mais ou menos importantes para os alunos em geral. Os alunos deveriam valorizar òs dois tipos de consequência, pois são importantes para a socialização e para o aprendizado, hoje e no futuro.

RESUMINDO: Aqueles alunos que conseguem (a) perceber a situação mais adequada para se comportar como CDF ou como bagunceiro; (b) ter um comportamento suficientementemente variado para ter traquejo com os colegas do fundão e disciplina com os estudos e (c) valorizar e obter as consequências que cada um desses comportamentos produz, estes são os com maior variabilidade comportamental e que estarão aproveitando mais o lado bom dos dois perfis mais típicos das escolas.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Contingências conflitivas: Raiva ou culpa?

Um jovem de 15 anos me contou que estava em um dilema. Ele gostaria de ir a uma viagem com a turma do colégio, mas sabia que a namorada não poderia ir, embora até quisesse levá-la. Ele me descreveu claramente os seguintes sentimentos:

- Se eu não for só porque ela não vai, vou ficar com raiva. Se eu for sem ela, vou ficar com culpa.

Que tipo de contingência está envolvida nos dois casos?
Sentimentos de culpa e de raiva podem, ambos, estarem associados a uma contingência de punição.

Se o rapaz deixa de viajar para agradar a namorada, a sua escolha produz a perda de uma atividade divertida, inédita e prazeirosa. Que raiva!

Se o rapaz viaja (aqui vamos supor uma namorada ciumenta, para deixar claro), aproveita o seu passeio mas terá que se haver com uma namorada brava e ressentida.

Se a punição é inevitável, por que os subprodutos emocionais são tão diferentes?

A namorada brava e ressentida é uma consequência essencialmente social, e uma das punições sociais mais eficientes é a produção de culpa. A namorada pode gritar, dar um gelo ou fazer um interrogatório. Além disso, a briga da namorada só é aversiva enquanto estar com ela é reforçador para o rapaz. Aí está a armadilha: se as brigas se elevam, o rapaz pode começar a evitá-la. Já a viagem é um reforçador muito palpável, embora também envolva relações sociais. E mais: lembrar da viagem, no futuro, também será um comportamento (encoberto) reforçador.
É uma contingência conflitiva; a escolha envolve ganhos e perdas.

O jovem ponderou e se decidiu ao verbalizar o seguinte:

- Daqui a um tempo, se a gente termina o namoro, vou ficar com mais raiva ainda de ter perdido uma grande viagem por causa de... "quem mesmo"? A ex nem vai mais ter importância na minha vida. A viagem sim. Eu vou é viajar.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Mando = Semancol = Blog habilitado

Lá no congresso da ABPMC a minha xará Giovana Rocha falou que acompanhava meu blog, o que me deixou super feliz. Momentos depois, ela acrescentou:

Gi Rocha - Só que eu não consigo postar comentários!
Gi Del Prette- Nossa, como não?
Gi Rocha - Não consigo. Você precisa habilitar usuários que não têm email do gmail a postar comentários.
Gi Del Prette- Como assim? Não está habilitado pra qualquer um?
Gi Rocha - Não, você cofigurou seu blog de alguma maneira que restringe os usuários. Mude lá nas suas configurações.
Gi Del Prette- Obrigada pelo toque, vou mudar assim que eu acessar a internet.


Dito e feito, mudei as configurações e agora qualquer um pode comentar, independente de ter email no gmail. A consequência foi imediata:


O exemplo mostra que se você não está exposto às contingências e se não há nenhum antecedente verbal, seu comportamento não muda. Como autora do blog, tendo email do Gmail, eu nunca me exporia às contingências de tentar deixar um comentário e não conseguir. Só mesmo com uma regra, um operante verbal do tipo mando: "Vai lá, Gi, muda aquilo pra eu postar!"

Funcionou, Gi!!!

sábado, 30 de agosto de 2008

Hã, Abepemicê?!

Como você pronuncia a sigla ABPMC?

O XVII encontro da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental-2008 começou quinta e vai até domingo. A sigla do congresso é ABPMC, carinhosamente conhecida como "abepemicê".
O fato é que todo beheca bem familiarizado com o encontro só fala "abepemicê", talvez exceto os provenientes da região sul, que gostam de pronunciar direitinho cada sílaba. Ah, e talvez os mineiros digam "bepemicê". Alessandro e Neto, nossos representantes de floripa e minas, que o digam. Hehe. ^^


- Oi gente, quem vai prabepemicê?
- Eu vou, dessa vez a abepemicê vai ser mais perto do que a do ano passado, que foi em Brasília.
Outro dia achei muito curioso que estávamos cancelando uma aula que cairia no dia da Abepemicê e a aluna, da graduação, ainda não conhecia o congresso.
- Abê o quê?
- Abepemicê.
- Abepê...?
- Emicê.
- Como assim?
- Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental. A-Bê-Pê-Eme-Cê.
- Ahn! A-Be-Pê-Eme-Cê...
Depois disso a aluna teve que repetir a sigla pra combinar questões do cancelamento da aula:
- Entao, quer dizer que dia 28 não teremos aula por causa da A-Be-Pê-Eme-Cê, mas podemos atender mesmo assim? A A-Bê-Pê-Eme-Cê vai até que dia?(...)


Conversando com meu amigo Mav, nós chegamos a umas hipóteses. Quando o beheca familiarizado diz "abepemicê" em uma conversa, trata-se de um operante verbal do tipo INTRAVERBAL. Quando a aluna nova, ainda não inserida na comunidade verbal, fala letra por letra, está emitindo um operante verbal do tipo ECÓICO. A semelhança é sonora. Ela repete aquilo que ouviu direitinho e conseguiu compreender (sílaba por sílaba), já que "abepemicê" ainda é mais complicado, menos familiar e, portanto, com mais chance de errar ao ecoar. Talvez quando a palavra virar um intraverbal, ela faça do jeito que faz com todas as palavras, porque para ser realista, o que dizemos é: "Cê vai nu congressu dabepemicê?"


Opção número dois, extrapolando um pouco o exemplo: por não estar ainda inserida no meio da comunidade beheca, falar "abepemicê" seria íntimo demais e, portanto, com chance de punição. É mais formal e seguro pronunciar direitinho. É semelhante a não chamarmos alguém pelo apelido assim que o conhecemos!

Minhas apresentações na ABPMC - Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental - 28 a 31 de Agosto de 2008




(1) Mesa Redonda M057 - sexta-feira 29/08/2008 das 10:40 às 12:00
Local: Paços do Nobre 2
Tema: Relações agressivas na infância: entendimento e intervenção sob o ponto de vista analítico-comportamental
Palestrantes:
* Joana Singer Vermes (Paradigma): Quando o cliente é o agente do bullying: estratégias de intervenção
* Giovana Del Prette (USP / Paradigma): Agressividade entre pares: o cuidado à criança vítima de bullying
* Jaíde Regra (Clínica particular): Análise e Manejo da Agressividade entre irmãos
(2) Primeiros Passos PP019 - sexta feira 29/08/2008 das 13: 30 às 13:55
Local: Paços do Nobre 3
Tema: Orientação profissional na abordagem analítico-comportamental
Palestrantes:
* Marcio Alleoni Marcos (Paradigma / PUC-SP)
* Giovana Del Prette (USP / Paradigma)
(3) Mesa redonda M009 - sábado 30/08/2008 das 15:20 às 16:40
Local: Salão Imperial H
Tema: Pesquisa em clínica: Uma análise dos sistemas de categorização para o estudo da interação terapêutica
Coordenador:
* André Luis Jonas (Univ. Anhembi Morumbi)
Palestrantes:
* Thais Cristine Martins (Paradigma): A interação verbal terapeuta-cliente:categorização e análise das verbalizações de terapeutas formandos e recém-formados.
* Moema Galindo de Almeida Pinto (HC-Ipq GREA-FMUSP - HC-Ipq AMJO-FMUSP - HC-Ipq AMITI-FMUSP): Um estudo sobre relações entre o dizer e o fazer: algumas variáveis que operam no controle do planejamento de sessões terapêuticas.
* Giovana Del Prette (USP / Paradigma): Terapia Analítico-Comportamental Infantil: Comparação entre análise de contingências e categorização de sessão filmada.
Para maiores informações, consulte: http://www.abpmc.org.br/

domingo, 24 de agosto de 2008

[Avaliação Comportamental ] Viajando com o Senhor Vitrola

Clique na imagem e assista ao vídeo "Viajando com o Sr. Vitrola", realizado pelo comediante stand-up e repórter do CQC da Band, Danilo Gentili. Depois volte aqui para ler a discussão.
A descrição da observação
Danilo Gentili viaja de ônibus com um senhor ao seu lado. Em todos os momentos filmados, Danilo está aparentemente lendo um livro, embora ocasionalmente olhe para os lados. O Sr. Vitrola está falando o tempo todo e gesticulando com movimentos amplos de braço, com o rosto para frente e ocasionalmente olha para Danilo. Há outras pessoas no ônibus, mas o Sr. Vitrola não se dirige a elas enquanto fala. Quando os passageiros se levantam, o Sr. Vitrola continua falando. Há uma câmera filmando a "interação" - não se sabe se o Sr. Vitrola tem conhecimento desta.


O relato
Danilo relatou o evento nos textos explicativos entre as filmagens. Pelos textos, descobrimos que a viagem durava 6 horas, que o Sr. Vitrola falou durante toda a viagem, que o destino era o Rio de Janeiro, que Danilo pretendia ler um livro, que ele tentou ignorar o Sr. Vitrola e que ele detestou o "blá blá blá'". Mas em seu blog ele nos dá mais informações:

"Fui fazer show no Rio de Janeiro essa semana. E só gostaria de saber uma coisa. Por que, no meio de tantas poltronas, é justamente ao lado da minha, que resolve se sentar o Senhor Vitrola? (...) Ele falou exatamente durante todo o percurso. O que ele falava? Coisas interessantes, do tipo:
[relato do sr. vitrola]- Lá no piauí tem cada cocada gostosa que a mulher vende. Eu adoro.

[cpto encoberto de danilo]- Que tal fingir que está comendo uma delas? Lembrando que é feio falar de boca cheia.
[relato do sr. vitrola]- Lá no Amazonas uma vez eu conheci um japonês que andava com uma faca na cintura, pra matar índio que subia nas suas árvores.

[cpto encoberto de danilo]- É uma pena que ele não usou a faca pra cortar a língua de quem fala demais.
Eu tirei uma câmera fotográfica da mala. Da mala com alça. Não do bolso do velho. Filmei. Sem disfarçar nem nada. Foi como se não houvesse câmera nenhuma alí. Ele continuou falando. Agora, veja só como é a vida. Minha câmera não pega áudio. Então, tive que fazer o filme sem áudio mesmo. É um filme mudo sobre o cara que mais fala no mundo. Não é irônico?" (fonte: http://danilogentili.zip.net/arch2007-08-01_2007-08-31.html )

Ampliando a compreensão do caso
A junção de informações colhidas via observação e aquelas obtidas com o relato amplia a compreensão do caso. Já sabemos agora que o Sr. Vitrola contava assuntos variados. Que os assuntos demonstram o quanto ele é um senhor "viajado" (Piauí, Amazonas). Também podemos ter mais certeza de que Danilo não estava gostando da conversa, tanto pelas caretas que fazia quanto pelo relato dos pensamentos vingativos que ele teve. Já descobrimos que Sr. Vitrola podia ver a câmera e que isso não parece ter alterado a frequência do comportamento de falar. Enquanto isso, Danilo se engajou em ao menos dois outros comportamentos: ler e filmar a "interação".

Formulando a pergunta
As três primeiras etapas são essenciais para a coleta de dados em uma avaliação comportamental. Isso porque elas demonstram como fizemos para chegar ao X da questão:

...em outras palavras: então o que mantém o falar do Sr. Vitrola?


Levantando hipóteses

Ok, se um comportamento ocorre, é porque está sendo reforçado. E não precisa ser o tempo todo - é o caso do reforço intermitente. Mas há também os casos em que poderíamos estar observando um período de resistência à extinção. Temos, portanto, três possibilidades:

(1) Algo no ambiente reforça continuamente o falar do Sr. Vitrola;

(2) Algo no ambiente reforça intermitentemente o falar do Sr. Vitrola;

(3) Nada no ambiente reforça o falar do Sr. Vitrola, mas ele tem uma história de reforçamento que faz com que o falar seja resistente à extinção.

O quê? Como? Quando?

Agora é hora de operacionalizarmos as nossas hipóteses, com base nos dados que temos. Podemos extrapolar as informações, desde que saibamos que são apenas hipóteses. Ao levantar uma hipótese, precisamos explicar o porquê dela fazer sentido. Vou dar alguns exemplos, mas você pode pensar em muitos outros.

(1) Reforço contínuo:

(a) A simples presença próxima de Danilo reforça o falar do Sr. Vitrola. O Sr. Vitrola tem pouca oportunidade para interagir com pessoas; essa é uma operação estabelecedora que aumenta o valor reforçador do falar assim que apareça alguém para ouvir. Além disso, as caretas do interlocutor não funcionam como Sd para ficar quieto;

(b) Interagir com alguém na presença de outras pessoas é reforçador, sendo algo como "mostrar para os outros que eu sou importante, que tem gente interessado no que eu tenho a dizer, tanto é que fica 6 horas me escutando".

(2) Reforço intermitente:

(a) Ocasionalmente Danilo emite respostas indicativas de escuta. Danilo olha brevemente para o Sr. Vitrola. É possível que ele balance a cabeça (sinal de concordância), ou que ele fale "Hum-hum". Isso pode ser suficiente para manter o falar;

(b) Sinais de chateação de Danilo manteriam o falar. Em outras palavras: quem está chateado é porque está ouvindo. Danilo suspira e demonstra impaciência. Para outras pessoas, isso poderia suprimir o falar. Para o Sr. Vitrola, é reforçador. Lembre-se: estímulo reforçador não é sinônimo de estímulo agradável.

(3) Extinção: O falar do Sr. Vitrola é muito resistente à extinção. Isso costuma ocorrer quando, na história, um comportamento foi reforçado intermitentemente, havendo longos intervalos de extinção. Talvez algumas pessoas dêem atenção ao Sr. Vitrola (independentemente de gostar do papo dele). Outras o deixam falando sozinho. Outras oscilam entre as duas coisas. O resultado é esse: seis horas falando para o Danilo.



Finalizando...

Observe. Pergunte. Descreva. Faça relações. Elabore hipóteses. Explique as hipóteses. Esses são os passos iniciais de uma avaliação comportamental. A próxima etapa envolveria também manipular variáveis. Porém, como ela está ainda mais intimamente ligada à intervenção, deixo esse assunto para outro tópico... :) Ah, e não posso me esquecer: se você fala demais, aproveite o tópico para uma auto-análise! hehe.

sábado, 16 de agosto de 2008

Terapia Comportamental: A analogia do bumerangue


Tirei a foto acima na semana passada em um passeio pela UFSCar, onde jogamos bumerangue. Eu nunca tinha jogado bumerangue na vida. Se alguém já jogou bumerangue, deve se lembrar o resultado de suas primeiras tentativas. O bumerangue vai direto para o chão e sai quicando, ou ele vai e não volta, ou volta demais e faz você ir buscá-lo o tempo todo. A tarefa se torna mais viável se alguém mais experiente lhe instruir com regras e modelos. Aqui vão algumas regrinhas que aprendi com o jogador da direita (eu sou a do meio e a da esquerda também aprendeu):

- Você tem que jogar contra o vento e ligeiramente à direita dele;
- Você tem que desmunhecar a mão para baixo e rápido na hora de jogar;
- Você tem que posicionar o bumerangue na vertical em relação ao solo e incliná-lo trinta graus à direita para ficar na posição correta (isso se você for destro);
- O lado chanfrado do bumerangue fica voltado para você.

E aqui vai um modelo importante:
- Você observa o jogador modelo. Ele posiciona o corpo de determinada maneira (pé esquerdo à frente do direito, bumerangue na altura da cabeça, arremesso acima da linha horizontal etc). Você o imita.

Ainda assim, seguir-se-ão muitas arremessadas, em um processo de modelagem, até que alguma pareça ligeiramente razoável. Na foto há três bumerangues de modelos diferentes. Provavelmente, se você aprender a arremessar um deles, aprenderá mais facilmente a fazer com o segundo e com o terceiro. Mas, ainda assim, terá que se adaptar a características dele. O bumerangue da direita, por exemplo, tem somente duas pontas e o dobro do peso, é muito mais difícil, mas voa muito mais rápido e mais longe do que os outros.

Pensando nisso, criei uma analogia entre aprender a jogar bumerangue e aprender a ser um terapeuta analítico-comportamental. O jogador é o terapeuta e o bumerangue é o cliente. Para ser terapeuta, é necessário aprender via um conjunto de regras (bases teóricas, instruções sobre conduta) e modelos (seu supervisor, seus colegas, role-play, observação de sessões em estágios, auto-observação etc). O aluno de psicologia aprende primeiro com tudo isso e começa a aplicar com seu primeiro cliente, e as consequências vão modelando seu comportamento. Ele adquire uma série de repertórios e vai melhorando sessão a sessão, mas terá que adaptá-los para as particularidades do segundo cliente e dos próximos (os outros bumerangues).

Mais além: a intervenção do terapeuta é semelhante ao arremesso do bumerangue. Você tem algum controle sobre as variáveis, quanto mais possa conhecê-las e prevê-las. No entanto, uma vez no ar, o seu controle diminui. É o caso de uma súbita mudança na direção do vento, que faz com que seu arremesso não termine exatamente como você planejou. É o caso das contingências do dia-a-dia do cliente, que podem favorecer ou dificultar o trabalho. Nem o terapeuta, nem o jogador, têm controle absoluto da trajetória. E não se pode mandar no vento, mas sim saber como escolher o melhor lugar e hora para jogar. O jogador nunca sabe muito bem onde o bumerangue vai cair. Isso depende de características do objeto, do ambiente e da destreza dele. Na terapia também.

Uma última analogia: bumerangues “vão e voltam”. A volta pode ser traduzida por: o que reforça o comportamento do terapeuta? Não posso falar por todos, mas sugiro que, assim como jogar bumerangue, o reforço seja a melhora do cliente, o quanto o próprio terapeuta aprende no processo, e o desafio de sê-lo. Mas não espere que o bumerangue vá cair na sua mão, pois os holofotes devem estar sobre o vôo dele e não sobre você.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

[Avaliação Comportamental] Método indutivo hipotético dedutivo

As duas crianças abaixo têm sérias dificuldades para manterem-se sentadas e concentradas em sala de aula. A escola sugeriu aos pais uma avaliação, suspeitando de hiperatividade. Um terapeuta analítico-comportamental irá avaliá-las.A avaliação, segundo os pressupostos da Análise do Comportamento (Fernandez-Ballesteros, 1993), baseia-se no método indutivo hipotético dedutivo. Vou resumir nesse pequeno post como funcionam esses métodos na prática, a partir do que li desse e outros autores.

O método indutivo também pode ser chamado de método aristotélico e pode ser traduzido por: "Se A, então B", isto é, a constatação de que A é verdadeiro induz que B também seja verdadeiro; a verdade de B é consequência da verdade de A. O método indutivo parte da observação/experimentação para a formulação de relações, hipóteses e conceitos. Skinner realizou inúmeros experimentos, e o acúmulo de resultados levou à constatação de regularidades comportamentais. Ele poderia afirmar: "todos os ratos privados de água pressionaram a barra quando isso era seguido sistematicamente pela liberação de uma gota d'água" (esse seria o A). Abrangendo as pesquisas para outros animais e, posteriormente, seres humanos, a regularidade permitiu a conclusão sobre o princípio do reforçamento (esse seria o B). Conclui-se que o método indutivo parte do particular para o geral.

É assim que os princípios da análise do comportamento são construídos. Voltando à foto: de posse do conhecimento teórico da AC, o terapeuta analítico-comportamental que avaliará as duas crianças da foto formulará hipóteses para explicar os comportamentos observados que a escola classificou como "hiperatividade".

O método dedutivo parte de uma teoria, de premissas e de hipóteses que deverão ser testadas por experimentos ou observações visando a sua confirmação ou refutação (e daí à composição de novos pilares da teoria, papel da pesquisa). O modelo de dedução é o do raciocínio matemático: se A é igual a B e se B é igual a C, então A é igual a C, e o raciocínio caminha do geral para o particular. É dedutivo porque já existem premissas sustentadas por evidências e parte-se disso - ou seja, deduz-se. O clínico pode afirmar: "Se comportamentos operantes são mantidos por consequências (A), e se as duas crianças apresentam tais e tais comportamentos (B - levantam-se o tempo todo, distraem-se com facilidade etc), então devem existir consequências reforçadoras para estes comportamentos existirem (C).

As hipóteses lançadas sobre uma e outra criança dependem de inúmeras variáveis, isto é, a avaliação é mais complicada do que parece. Mesmo que estudem na mesma escola, a história de vida de cada criança, os aspectos filogenéticos e as relações atuais das mesmas são muito diferentes e deverão ser analisados individualmente.

Finalizando, o trunfo da avaliação comportamental é a capacidade de direcioná-la à própria intervenção, e da intervenção retroagir sobre as hipóteses, fortalecendo-as ou refutando-as. Exemplinhos didáticos: (1) "se as consequëncias forem a atençao dos colegas da sala e eu manipular isso, tenho a hipótese de q o cpto da criança mudará"; (2) "se as consequências forem a esquiva das tarefas em sala e eu impedir a esquiva, tenho a hipótese de que o cpto da criança mudará".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

[Claro! USP] Pequenos ditadores: O "não" mais que necessário - Parte I

A reportagem abaixo foi escrita por Carolina Amgarten, aluna de 4o ano de Jornalismo pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, com minha participação como psicóloga entrevistada. A matéria foi publicada no jornal impresso e online "Claro!", da ECA, que é um suplemento do jornal da USP e também se encontra disponível no link http://www.eca.usp.br/claro/pag08.htm .





Gostei muito da maneira como a aluna conduziu a entrevista e da escolha do tema. Por outro lado, como jornais sempre precisam editar o que os entrevistados dizem, depois de ler como ficou a matéria prometi a mim mesma duas coisas: (1) Nunca mais aceitar dar entrevista sem ver a edição final antes da publicação e (2) Publicar no meu blog para detalhar aquilo que foi excluído, com espaço ilimitado para isso. Pra isso, vou analisar cada frase minha por vez e daqui a alguns dias volto para escrever a Parte II. A primeira frase é:

"A falta de limites impede o direcionamento da criança, que acaba se sentindo desprotegida".


Algumas considerações: Colocar limites não é sinônimo de controle aversivo do comportamento. Envolve o reforçamento positivo do comportamento adequado e também, quando necessário, a punição ou a extinção do inadequado, para direcionar a criança à aprendizagem dos comportamentos necessários ao seu desenvolvimento. É o caso, por exemplo, dos pais que dão o exemplo e elogiam explicitamente comportamentos de altruísmo, solidariedade e empatia, e não permitem que a criança bata no coleguinha.


Punição, por sua vez, pode se dar por meio da apresentação de estimulação aversiva, o que não é sinônimo de bater, nem de humilhar, nem de dar castigos homéricos. O único objetivo deveria ser impedir a continuidade de determinado comportamento. Uma das várias medidas para analisar sua adequação é perguntar-se: a quem a punição está beneficiando? Às vezes o uso de punição beneficia mais quem pune do que quem é punido, como para "descontar a raiva", "fazer a criança ter o que merece", "sentir na pele como dói bater nos outros", "me dar um pouco de sossego" etc. Todos esses casos são extremamente inadequados, prejudiciais e nada educativos. Uma atitude mais adequada implica em uma relação dreta entre o comportamento inadequado e a consequência - consertar o que quebrou, limpar o que sujou, se desculpar com quem ofendeu.


A terapia comportamental EVITA ao máximo o uso de estimulação aversiva (nós somos pró reforço positivo! E mediante análise de contingências adequada!), o que é respaldado por muitas pesquisas sobre os perigos dos efeitos colaterais da punição - o pesquisador mais conhecido no meio sobre punição é Murray Sidman. Mas também é verdade que é impossível a total ausência do uso de punição. Uma das justificativas é que a punição frequentemente resulta na supressão IMEDIATA do comportamento. Imagine uma criança que está prestes a subir na beira de uma janela no alto de um prédio. É um exemplo em que a única alternativa é dizer "o não mais que necessário", pois o tempo gasto para modelar um comportamento incompatível seria grande demais e colocaria a vida dela em risco.

domingo, 27 de julho de 2008

Por que a criança chora apenas quando...?







Esse vídeo (assista aqui: http://br.youtube.com/watch?v=gDHxNdDQD-c) circulou há um tempo atrás em correntes de emails. Revisitando-o, resolvi postar por ser um belo exemplo para explicação de contingências de reforçamento.



Reparem que a criança chora, aliás, joga-se no chão e chora e grita. Essa topografia de comportamento é usualmente denominada "birra", a não ser que a criança esteja seriamente machucada ou em perigo, é clarro. Reparem também que há momentos em que ela fica em silêncio e caminha como se estivesse tudo OK na vida dela. Qual é a diferença entre um momento e outro? A criança chora apenas quando...? A criança chora apenas quando está na presença do adulto.



A presença daquele adulto é um estímulo discriminativo (Sd), isto é, provavelmente a criança passou por uma história em que, na presença dele, a resposta de chorar produz atenção e cuidados, aumentando a probabilidade de sua ocorrência em outras situações análogas. Se isso for verdade, atenção e cuidados são estímulos reforçadores positivos.



A ausência do adulto é uma situação (que denominamos S-delta) em que chorar não produz nada - o adulto não está lá para cuidar! Sendo assim, na história da criança, ela já aprendeu a não chorar se não há platéia. A criança chora porque...? A criança chora por causa das consequências.



O exemplo demonstra a importância de manipular o ambiente (tanto antecedente quanto consequente) para modificar padrões de respostas. Essa é uma das marcas da prática do terapeuta analítico-comportamental.

sábado, 26 de julho de 2008

Não pressione o botão vermelho!!! :)

Faça a brincadeirinha abaixo, no link que o botão vermelho vai te levar... E em seguida volte aqui para a nossa discussão abaixo... E aí? Você pressionou o botão vermelho? Apesar da instrução ser oposta ou justamente por ser oposta? Quantas vezes? Foi até o fim? Desistiu na metade do caminho? Ficou irritado e xingou o botão? Se divertiu?

A brincadeira do botão vermelho é uma excelente oportunidade para discutirmos instruções (regras), individualidade do reforçamento e esquemas de reforço.

Quando eu fiz essa brincadeira, não parei um só segundo para pensar em não apertar o botão! A instrução "não pressione", na verdade, controla meu comportamento de quebrar a própria regra: fui lá com o mouse e apertei o maldito botão! O que não é necessariamente verdade para todas as pessoas. Há aquelas que vêem o botão vermelho, lêem "não pressionam", e irão emitir o comportamento de seguir a regra (o que pra mim é algo incrível!). O comportamento de seguir regras também é modelado pelas consequências, ainda que em alguns casos elas sejam um reforço social por segui-las. Mas isso é assunto para outro post... o principal aqui é:

Pressionar o botão vermelho é uma resposta que produz como consequência o acesso a uma nova frase (por exemplo: "De novo!"). A nova frase, ao mesmo tempo em que é consequência, também é ocasião (Sd) para uma nova resposta, gerando um encadeamento longo, teoricamente ad infinitum, se você repetisse o ciclo da brincadeira pra sempre e se não houvesse saciação, fadiga, nem nada mais pra você fazer além disso na vida.

A primeira pressionada no botão pode ser fruto de uma história de reforçamento (a) por nos engajarmos em brincadeirinhas semelhantes da internet; (b) por nos comportarmos de maneira contrária às regras; (c) por nos comportarmos segundo aquilo que leigamente é denominado "curiosidade", e assim por diante. Pode ser até mesmo uma esquiva de fazermos aquele trabalho chato que deveríamos estar fazendo! Mas a partir da segunda pressionada, a manutenção do comportamento já pode ser explicada também pela própria relação com o botão: uma nova história se construindo!

Se pressionamos algumas vezes mas logo desistimos, provavelmente a consequência (acesso a novas frases) não é reforçadora, e nosso comportamento seguiria uma curva de EXTINÇÃO, até que fechamos o site. Se, ainda por cima, você ficou ligeiramente irritado, saiba que esse é um sentimento correlato bem típico (mas atenção, não é o sentimento que define a extinção, e sim qual a relação entre resposta e consequência!)

Se pressionamos muitas vezes, significa que a consequência (ler novas frases) está mantendo nosso comportamento, portanto, ela é REFORÇADORA. Talvez nem todas as frases manteriam nosso comportamento, mas a variedade de frases garante que, para um grande número de pessoas, ao menos algumas sejam capazes de mantê-lo. Estamos falando de reforço INTERMITENTE. O reforço intermitente, na verdade, é um esquema em que, ora a consequência é reforçadora, ora não (extinção). É um esquema que produz altas taxas de respostas - o que deve ter ocorrido se você foi um dos que apertou o botão rapidinho, ininterruptamente e foi até o fim. E deve ter sentido uma ligeira expectativa sobre a próxima frase.

Entretanto, se o período de extinção for grande demais, é provável que o comportamento cesse antes do próximo reforço. Se você parou a brincadeira quando apareceu aquela tela com trocentos botões, começou a clicar e desistiu, é disso que estou falando.

Em tempo: conclua-se de tudo isso que o botão e suas frases não é estímulo reforçador, nem neutro, nem aversivo, nem nada, A PRIORI. Tudo depende da pessoa que está brincando com ele!

sábado, 19 de julho de 2008

"Eu Beijo Mesmo": Como fui entrevistada na matéria da Loveteen Julho 2008




Dar entrevistas, fazer ou participar de matérias de revistas não-científicas é um excelente meio de divulgar mais o trabalho do Analista do Comportamento ao grande público que, ao meu ver, acaba tendo mais acesso a outras abordagens (como o Cognitivismo e a Psicanálise).

Participei de uma reportagem desse mês de julho na revista pré-adolescente "Loveteen", incumbida de dar a opinião de especialista (por ser terapeuta de adolescentes, e não por beijar meninos na balada... rsrsrs...) a respeito do tema "Meninas que beijam muitos meninos na mesma balada".

A meu ver, a maior saia justa para uma terapeuta analítico-comportamental está em conciliar o forncimento de uma informação que pretende atingir um grande público (os adolescentes "em geral") com alguns dos princípios da análise do comportamento, principalmente o da individualidade de cada caso sob análise. O que inclui até detalhes como a linguagem, já que nossa linguagem técnica é terrível e não seria reforçador para nenhum adolescente ler a matéria se eu usasse alguns termos que usarei aqui.
Segundo o princípio da individualidade - "sujeito único" - não existiria um comportamento "correto" e "incorreto" a priori. Todo comportamento é, na verdade, adaptativo, alguns causando mais ou menos sofrimento a aquele que se comporta e/ou a quem convive com essa pessoa. Todo e qualquer comportamento, se existe, está sendo mantido pelas consequências. OK, vamos imaginar a tal "menina que beija demais na balada". Para explicar esse comportamento, precisamos investigar questões como:

(1) Qual é a descrição do "beijar demais"? A menina beija 2, 4, 10, 40? Em quais tipos de baladas? Quando vai com quais amigas? É ela quem "chega" no menino? Ou ela aceita todos? Qual é o critério dela (se houver)? O que mais ela faz com ele durante a ficada?

(2) Qual é a história de reforçamento que levou à instalação do "beijar demais"? Isso pode incluir não apenas o reforçamento ao comportamento de beijar meninos, mas em épocas mais infantis, uma sexualização precoce, um grupo de pares que alimentava esse tipo de assunto, falta de orientação e supervisão dos pais, muito antes da menina dar de fato seu primeiro beijo.

(3) Quais são os estímulos discriminativos e operações estabelecedoras que estabelecem ocasião para beijar muitos carinhas na balada?

(4) Quais consequências estariam mantendo esse padrão de comportamento? Podemos pensar no prazer intrínseco do reforço primário (sexual), mas também na aceitação social da menina, ao ser incluída em um grupo de colegas que se comporta de maneira semelhante.

(5) O quinto elemento, após esse breve aquecimento da discussão, é aquele que resolvi me ater na entrevista que dei à Loveteen: ter o sujeito como seu próprio controle. A análise do comportamento não desconsidera a comparação de um sujeito com o seu grupo de referência, embora vejamos isso com cuidado. Por exemplo, certa menina de 14 anos beija 20 numa noite só, mas a média para as meninas de 14 anos da sua cidade, sua série e sua escola é de "apenas" 7. Nossas principais ressalvas são: (a) a "menina média", a que beija 7, é uma menina hipotética; ela existe somente enquanto resultado de um cálculo estatístico de uma amostra populacional; (b) estar fora da média não é sinônimo de ter um problema, nem de ter uma vantagem. Beijar 20 pode não ser um estímulo para nenhuma resposta de ninguém, pode produzir aprovação ("a menina mais popular"), ou reprovação ("a menina mais galinha").

Dito isso, a opção pela qual encaminhei as respostas da minha entrevista foi descrever, obviamente com zero controle experimental e linguagem leiga, que precisamos analisar as consequências do beijar demais, a curto, médio e longo prazo, independentemente de comparar com outras frequências de beijo. O que caiu naquele inevitável "depende", que todo psicólogo adora responder.

Adorei o desafio... fiquei tão empolgada que elaborei um pequeno teste e a revista publicou na íntegra e sem alterações (mas esqueceu de dar crédito a mim!!!) . O nome do teste é "Que tipo de beijoqueira é você". Por meio de 10 perguntinhas, chegamos a três perfis: "Equilibrada", "Liberal" e "Noiada". Notem que os perfis não se definem pelo número de carinhas que a menina fica. Supondo a menina que beija muito, ela é capaz de se observar, observar o ambiente e moldar seu comportamento conforme a necessidade (equilibrada)? Ela observa pouco as consequências do próprio comportamento, podendo ocorrer punição a longo prazo (liberal)? Ou ela se comporta excessivamente sob controle da aprovação dos outros, ocorrendo desequilíbrio entre comportamentos abertos (o beijo) e encobertos (preocupação, culpa, ansiedade etc) (noiada)?

É isso aí, para finalizar coloco abaixo o teste para quem quiser brincar de aplicar em si mesmo. Ah, e quem fizer por favor comente aqui qual foi o resultado viu!!! Sei que é um teste para meninas-pré-adolescentes-heteros, mas espero que vocês se divirtam não importando a idade, o gênero nem a opção sexual ok?

Teste: Que tipo de beijoqueira sou eu?
Equilibrada, liberal ou noiada... Marque as alternativas e veja quantas letras E, L e N você tem no final.
(1) Saí para a balada e fiquei com um garoto. O que eu penso depois?
L: Oba, mais um para a coleção!
N: Será que ele vai me ligar?
E: Adorei a noite, ele é legal e beija bem.
(2) Minha amiga está afim de um menino lindo, mas ele pediu para ficar comigo. Eu fico ou não?
N: De jeito nenhum! Não vou arriscar deixar a minha amiga magoada!
L: Claro que sim! Afinal, ele me escolheu...
E: Só se eu conversar com a minha amiga e ela entender a situação...
(3) Beijei dois numa noite só e o segundo disse que queria sair comigo de novo. O que passa por minha cabeça na hora é...
L: Dois é pouco, três começa a ficar bom...
N: Que máximo, será que ele tá afim de mim?
E: Por que não? Ele é um gatinho...
(4) Algumas meninas na escola andaram me chamando de "rodada". Eu...
E: Mando cada um cuidar da própria vida.
N: Fico muito preocupada: "Xiii, será que estou fácil demais?"
L: Não dou a mínima. Falem bem ou falem mal, mas falem de mim.
(5) Quero ficar com aquele menino. Como eu faço?
L: Vou lá dar um beijo nele. Na boca.
N: Fico na minha. De vez em quando, dou umas olhadas para ver se ele repara!
E: Dou um jeito de puxar conversa e, se rolar um clima, eu beijo.
(6) Um menino me pediu em namoro. O que mais me preocupa?
L: Se eu namorar, não vou poder ficar com mais ninguém.
N: E se eu me apaixonar e ele me der um fora?
E: Será que ele vale à pena ou está querendo se aproveitar de mim?
(7) Fiquei por ficar, mas ele se apaixonou. E agora?
L: Vou ficar com outro pra ele saber que não tô afim dele.
E: Vou conversar com ele e conversar que não vai rolar. E vou tentar não ficar com outro na frente dele para não magoá-lo.
N: Vou dar uma chance a ele. Sei lá, né, de repente...
(8) Estou ficando com um menino há duas semanas. O que eu faço com meu perfil no Orkut?
N: Coloco "namorando" em relacionamentos e faço um álbum com fotos da gente pra ele ver o quanto estou afim.
L: Deixo como "solteira" porque tenho vários meninos interessantes na minha lista.
E: Dou um jeito de falar com ele pra ver se a gente assume ou não como "namoro".
(9) Tenho um monte de meninos no meu MSN. Como eu converso?
N: Fico na minha e espero eles puxarem assunto primeiro.
L: Converso com todos aqueles que eu estou afim pra ver com quantos eu consigo ficar.
E: Acabo conversando com os mais legais e tento não dar esperança para todos, só para aqueles que eu estiver afim.
(10) Minhas amigas apostaram pra ver quem vai beijar mais naquela festa do colégio. Eu...
L: Vou fazer de tudo pra me consagrar a campeã!
N: Não entro nessa de jeito nenhum pra não ficar mal falada!
E: Aceito a brincadeira, mas paro de competir se achar alguém que beija bem no caminho.
Resultados:
Equilibrada:
Mais E: Você fica com vários meninos, mas sabe escolher e quando parar. Isso porque é capaz de pensar em si mesma sem desconsiderar os sentimentos dos outros. Se aquele menino ficar afim de você, e você não, vai saber lidar com a situação sem magoá-lo. Você se importa com o que suas amigas pensam, mas não é maria-vai-com-as-outras. Seus sentimentos são mais importantes do que a quantidade de meninos que você fica.
Liberal:
Mais L: Você fica com vários meninos e não está nem aí para a opinião dos outros. Acha importante aproveitar enquanto pode. Aproveite, mas tome cuidado para não magoar alguém, como uma amiga ou mesmo um carinha que pode ser legal para você.
Noiada:
Mais N: Você fica com vários meninos e se importa bastante com a opinião dos outros, seja do menino de quem está afim, seja das suas amigas. É do tipo que se envolve fácil e pode acabar se machucando porque nem sempre vai ser correspondida. Às vezes, decide as coisas em função do que os outros pensam. É legal ter cuidado com os outros, mas saiba que você nunca vai conseguir agradar todo mundo e não perca as boas chances de curtir a vida.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sutil resposta da Super Interessante ao meu email


Aqui está a mensagem automática de resposta da Super Interessante dizendo que meu email foi recebido e encaminhado ao setor responsável pela matéria.

sábado, 12 de julho de 2008

Carta resposta à Super Interessante sobre matéria "Terapia Funciona?"


São Paulo, 12 de Julho de 2008


À Superinteressante


Escrevo à revista para comentar sobre a matéria “Terapia Funciona?”, do mês de Julho/2008. Sou psicóloga, graduada, mestre e doutoranda em psicologia clínica comportamental pela USP, e especialista em terapia comportamental pelo Núcleo Paradigma. Sou terapeuta comportamental, pesquisadora e professora de pós-graduação em terapia comportamental. Sendo assim, creio que posso avaliar com alguma propriedade ao menos a parte da matéria a respeito da abordagem com a qual trabalho e pesquiso. Fiquei bastante desapontada com o reducionismo e com grandes equívocos descritos sobre terapia comportamental e gostaria de esclarecê-los.


(1) “[A terapia comportamental] é indicada para quem sofre reações indesejáveis do corpo diante de manias e fobias (como medo de aranha ou de avião)”.


Na verdade, a terapia comportamental é indicada para qualquer tipo de transtorno, incluindo aqueles citados, mas também outros como, por exemplo, depressão, pânico, hiperatividade, autismo, compulsões, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de personalidade borderline e problemas de relacionamento íntimo e/ou social, associados ou não a estes diagnósticos. O que diferencia a terapia comportamental das demais terapias não é a indicação para um ou outro tipo de sofrimento, e sim as bases teóricas e filosóficas sobre as quais está pautada. Temos diversos estudos a respeito da eficácia para os transtornos citados, além de pesquisas no país e no exterior sobre o papel da relação terapêutica no desenvolvimento do atendimento ao cliente. Uma das principais marcas da terapia comportamental, não citada no artigo da S.I., é o uso daquilo que denominamos “análise funcional do comportamento”, que inclui aspectos como: o comportamento do indivíduo (incluindo pensamentos e sentimentos), quando ele ocorre, que conseqüências ele produz e o mantêm, reações fisiológicas associadas e história de vida que leva à instalação do mesmo. Como se pode perceber, é uma abordagem bem mais complexa, isso apenas citando brevemente poucos aspectos.


(2) “Utiliza técnicas básicas de aprendizagem, como exposição e condicionamento, na tentativa de trocar o comportamento usual por reações mais agradáveis”.


Para somente demonstrar o reducionismo e os equívocos dessa afirmação, me concentrarei em uma única palavra da mesma. Ao falar em “reações”, a afirmação acima remete a relações estímulo-resposta (como reflexos, por exemplo), que não são o principal alvo de intervenção do terapeuta comportamental, mas apenas uma pequena parte da explicação do funcionamento dos indivíduos. Uma explicação mais completa deveria abranger os fatores presentes na análise funcional do comportamento, especialmente as conseqüências que o comportamento produz sobre os outros. Esse é um equívoco muito comum quando profissionais de outras abordagens discorrem a respeito da comportamental.


(3) “Para os críticos, esse tipo de terapia tenta fazer um adestramento do paciente”.


Esta frase infelizmente reflete a realidade porque, de fato, há um grande número de críticos que têm essa visão sobre a terapia comportamental. Explicações como a dada pela S.I. sobre esta abordagem somente mantêm esse tipo de crítica, realizada por pessoas pouco conhecedoras do assunto para falar sobre ele com propriedade. Longe disso, um dos principais processos de mudança estudados por pesquisadores em terapia comportamental é a aquisição de autoconhecimento, que ocorre quando o paciente torna-se capaz de falar sobre seu próprio comportamento, sobre a origem dele, o que faz com que ele continue existindo, e assim por diante. Outro grande núcleo de pesquisa está em uma vertente da terapia comportamental (também considerada como uma técnica) denominada de Psicoterapia Analítica-Funcional (PAF, de Kohlemberg e Tsai), que estuda o papel da relação terapeuta-paciente no processo de mudança. Poderia citar outros tipos de pesquisa e de vertentes, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (de Hayes), a ativação comportamental para depressão, os estudos sobre a relação entre dizer e fazer, outros sobre comportamentos governados por regras e modelados pelas contingências, todos eles passando bem longe de qualquer coisa parecida com “fazer um adestramento do paciente”.


Finalizando, gostaria de mencionar que fiz uma leitura crítica a respeito de todo o artigo, reconhecendo aspectos positivos e outros nem tanto. Entretanto, estou me atendo a escrever somente sobre o pequeno trecho sobre a terapia comportamental porque é a abordagem que estudo, trabalho e me especializo há anos. Creio que a S.I. deveria ter feito exatamente isso na publicação da matéria: ter escolhido diferentes pessoas, especialistas em cada abordagem, para falarem com propriedade somente do que fazem e não cometer erros como esses.


Coloco-me à disposição para mais esclarecimentos, para participar de uma eventual matéria que a S.I. venha a desenvolver sobre terapia comportamental, ou para indicar outros profissionais bem qualificados para participar, ou mesmo livros e artigos sobre o assunto.


Atenciosamente,


Me. Giovana Del Prette
São Paulo - SP
CRP 06/77732
http://lattes.cnpq.br/8405031383441088
gdprette@gmail.com
(11) 9476-4440


PS: Espero que minha carta seja publicada e, para facilitar, elaborei abaixo um breve resumo, pois sei que a explicação com mais detalhes excederia o limite de palavras permitido ao espaço das críticas dos leitores.


“Na verdade, a terapia comportamental é indicada para qualquer tipo de transtorno. Uma das principais marcas da terapia comportamental é o uso da “análise funcional do comportamento”, que inclui aspectos como: o comportamento do indivíduo, quando ele ocorre, que conseqüências ele produz, etc. As relações estímulo-resposta, ou "reações", são apenas uma pequena parte da explicação do funcionamento dos indivíduos. Um dos principais processos de mudança é a aquisição de autoconhecimento, que ocorre quando o paciente torna-se capaz de falar sobre seu próprio comportamento, o que faz com que ele continue existindo, e assim por diante.”